Ficha técnica
Autor Jansen Viana
Direção e adaptação: Mariane Romão
Produção: Jansen Viana, Mariane Romão e Karine Garcez
Narração: Gilson Tenório e Mariane Romão
Gravação: Tiago Campos e Naiara Lopes
Marketing: Débora Teixeira
Edição: Filipe Viana
Parceria com Porto Iracema das Artes
Projeto patrocinado pelo XII Edital de Incentivo as Artes Secult/CE
Release:
Inspirado em Paul Tillich, no seu livro "A Coragem de Ser". O teólogo e filósofo de origem alemã e radicado nos EUA, aborda nessa sua obra, três tipos de ansiedade que acomete o ser humano, as quais vou chamar de dores e medos. São esses os tipos: As biológicas, aquelas que atingem o corpo, o medo da morte, das doenças, daquilo que literalmente sentimos desde a pele. Outras dores e medos são qualificados no âmbito da alma e se referem a tudo que nos faz sentir sofrer condenação e culpa. O terceiro e último tipo diz respeito a dores e medos existenciais e nos faz desperceber os sentidos, os significados. Dores que nos colocam como seres insignificantes, um nada, um não-ser, nas relações sociais e desprovidos de valor como seres humanos. Trato essas angústias na perspectiva do negro, o que nos advêm no corpo, alma e espírito - tricotomia meramente ilustrativa - enquanto vítimas de racismo.
A linguagem é bastante acessível, é a voz tanto do negro que comumente reside e, comunidades pobres, sem oportunidade de estudo, como também do negro com títulos acadêmicos. Os poemas, de forma simples fazem citações aos poetas abolicionistas Castro Alves e José do Patrocínio, passam por poetas e escritores como Mia Couto, Fernando Pessoa, Lenine, Emicida e filósofos como Martin Buber, Schopenhauer e Paul Tillich sem perder a linguagem coloquial, popular, atendendo a profundidade e a simplicidade que o tema exige. Os poemas trazem um estilo criativo, dinâmico, versátil, alguns na cadência do rap, com variações propositalmente dissonantes em harmonia com a realidade da vida dos afrodescendentes, com suas vicissitudes e ambiguidades. Uma linguagem forte, gritos de desespero e de dor. O livro é uma obra de arte para ser lida, relida e principalmente sentida.